Dia 14 de Julho: Dia da Liberdade de Pensamento, por Tamyris Torres

Falar sobre liberdade de pensamento ou de expressão para mim que sou jornalista é quase que uma obrigação. Mas, uma obrigação gostosa porque não tem coisa que jornalista gosta mais de fazer do que poder se expressar.

E nessa seara de liberdades ou não, nosso Brasil já sofreu tanto com isso… Tantos Vladimir Herzog não existem ou existirão ainda na nossa história? E há quem pense que falta de liberdade de expressão só ocorreu no nosso período ditatorial mais famoso. Quantos jornalistas como o Tim Lopes ou outros com menos exposição midiática morrem nos interiores das nossas cidades brasileiras só porque estavam fazendo o seu trabalho de jornalista que é, literalmente, exercer o compromisso com a veracidade da informação.

Eu me lembro bem de uma certa vez que ouvi de um distinto senhor que a profissão de jornalista não presta porque levamos ao público somente notícias ruins. Ora, se a culpa é nossa o mundo se desequilibrando e produzindo maus e piores momentos do que bons? O que fazemos é reportar, donde viria então nossa alcunha de repórter?

Falar sobre liberdade de expressão para mim é muito tocante. E neste dia 14 de julho que marca o Dia da Liberdade de Pensamento, falar de outra figura igualmente mister para o cenário mundial é essencialmente relevante para esta crônica.

Certa vez conversando com Rogerio Minotouro, em minha sala, sobre o Muhammad Ali, pude perceber a admiração dele por este grande ícone no cenário mundial. Também pudera um pugilista admirando outro. Mas, dentro do contexto de liberdade de pensamento, não falar deste homem seria uma falácia. Muhammad Ali foi um lutador dentro e fora do ringue, lutando a favor das causas raciais, sociais e políticas. O livro (biografia sobre ele), intitulado ‘Ali: Al Life’ relembra fatos históricos como o fato dele ter se recusado a ir para Guerra do Vietnã em protesto contra a supremacia branca. Não obstante disso e por tantos outros feitos, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em ocasião de seu falecimento, o comparou com Martin Luther King e Nelson Mandela.

E pensando nisso tudo eu reflito um pouco sobre as artes marciais, seus valores e sobre tudo o que ainda precisamos aprender com os povos orientais. Aquela filosofia oriental que preza pelo respeito acima de tudo… E chego à conclusão que ainda precisamos andar muito para termos um mundo ideal onde a liberdade de pensamento e de expressão seja – de fato – uma realidade. Claro que já tivemos momentos bem piores. Lógico que somos frutos de uma evolução latente. Mas, fica aqui o meu eterno agradecimento por figuras como estas citadas acima que nos mostraram um pouco mais sobre este valor e que o futuro nos traga mais ícones como estes para que possamos desfrutar 100% da nossa liberdade, a que temos direito.

Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948. Artigos XVIII e XIX:

“Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

**Tamyris Torres é jornalista, pós graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Diretora de Marketing e Assessora de Imprensa da Team Nogueira.

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