CRÔNICA: O lutador que existe em mim, saúda o lutador que existe em você!

Mais precisamente ontem eu tive uma conversa com um senhor muito distinto, que para mim se trata de uma referência moral no sentido amplo da palavra. Ele havia me dito que nenhum jornalista prestava.

Sim, à palo seco ele me disse que eu não prestava e então eu perguntei: “- Eu não presto por ter estudado quatro anos da minha vida e ter concluído uma faculdade?”.

E o senhor me respondeu: “- O seu trabalho não presta porque incita à violência. Nada que sai destas lutas pode ser bom para a sociedade e eu tenho pena de quem pensa diferente de mim”, exclamou o velhinho.

Curiosamente e, confesso que um pouco revoltada por estar ouvindo aquilo, eu dei continuidade porque eu queria entender de onde sai tanto desprezo por duas profissões tão dignas. E este mesmo senhor tentando me convencer que nenhum jornalista e lutador prestavam me explicou que o primeiro manipula e o segundo briga o tempo todo…

E então eu pensei que o radicalismo é sempre ruim e que a sociedade estava precisando de alguns valores importantes, tais como: humildade, honra, caráter, disciplina para estudar, para trabalhar honestamente, perseverança, amor ao próximo, benevolência, respeito à opinião alheia e, acima, de tudo, jamais deixar que o preconceito cegue e te impeça de entender o mundo a sua volta.

Foi assim, que curiosamente, eu abri um sorriso e me senti feliz, apesar de ter sido violentamente acusada de não prestar… Oras, quem conhece as artes marciais sabe bem que todos estes valores estão intrínsecos no dojô, no ringue e no octógono. Não tem uma pessoa, seja criança ou adulto, que não desenvolva tais características citadas acima praticando lutas. Então, como pode ser algo tão ruim assim possuindo tantas qualidades?

A frase a seguir pode até parecer um pouco clichê, mas é verdade absoluta: “quem luta não briga”. O lutador que existe dentro de cada um de nós é lapidado com as artes marciais e você só vai aprender isso quando começar a ter contato com este mundo. O cara que usa dos seus conhecimentos para brigar na rua, para ser violento, como diria aquele senhor, não pratica artes marciais. Ele pode até ter conhecimento dela, mas não bebe da filosofia de vida defendida por ela.

O que ainda me entristece um pouco é saber que ainda convivemos com este tipo de mentalidade um tanto quanto atrasada que não entende que se trata de uma postura radical. Você pode ser jornalista, lutador, advogado, médico, engenheiro, cozinheiro, o que for. Em todas as profissões existe o bom e o mau profissional. Quem faz a profissão são as pessoas, então não tem essa de que uma presta e a outra não presta. Quem vai decidir isso é você e os seus valores morais.

E neste aspecto, eu posso dizer veementemente que se você dedicar um tempo para as artes marciais você vai saber tirar um bom proveito de todas as situações, dentro e fora da academia. Ela elimina o estresse, ela ensina a respeitar, artes marciais é vida! É uma atmosfera fora do comum, as pessoas se ajudam, estão contigo como uma verdadeira família. Como não, somos uma família.

Pensem comigo: o povo oriental vive mais e melhor. Os japonenses, por exemplo, são um exemplo de longevidade, paciência, disciplina, entre outras qualidades. Será que é só coincidência os japoneses serem os precursores de diversas artes marciais? O que eu acho é que, nós ocidentais, temos muito que ainda aprender com eles!

Moral da história: vamos fazer um exercício diário de manter a nossa opinião lapidada com argumentos que nós mesmos podemos tirar de determinada coisas. Não tem como opinar sobre um assunto se você não o vivencia. Deixo um convite para você que está lendo esta crônica vir conhecer a Team Nogueira e a nossa filosofia de artes marciais.

O lutador que existe em mim, saúda o lutador que existe em você! Oss!

* Escrito por Tamyris Torres, jornalista, pós graduada em jornalismo esportivo e negócios do esporte e assessora de imprensa da Team Nogueira.

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