De mãe para mãe: permita que as artes marciais façam bem para o seu filho

Quando os nossos filhos vêm ao mundo, com a gente nasce também um instinto de proteção. Normal para as mães e para os pais também. Nos primeiros meses ficamos na porta do quarto deles para ouvir a respiração e saber se está tudo bem. Quando eles ganham o primeiro arranhão, não sabemos como agir, por mais superficial que o machucado seja, nós sempre ficamos preocupados. Afinal de contas, somos pais de primeira viagem.

E vai funcionar desta forma exatamente tudo. Justamente por este motivo que algumas mamães podem ter medo de iniciar o filho na filosofia das artes marciais. O que eu tenho percebido aqui na academia Team Nogueira é que há dois tipos de situações que as mães me contam terem sido um tipo receio antes de conhecer as artes marciais pela primeira vez.

A primeira questão é sobre agressividade. Ainda existe uma imagem deturpada sobre as artes marciais serem violentas. Por mais que este cenário tenha caído por terra, ainda existem algumas pessoas que realmente acham que os filhos podem ficar agressivos se praticarem Muay Thai ou Jiu-Jitsu, por exemplo.

A segunda questão versa sobre os filhos se machucarem, pois muitos pais acreditam que – por ser violento, dentro do contexto citado acima – as crianças podem se machucar. Todas as aulas da Team Nogueira, por exemplo, são supervisionadas por professores capacitados.

Porém, assim como você precisou de intrepidez para deixar o seu filho uma noite inteira sozinho no quarto até se acostumar que ele precisava de independência, será preciso também ter coragem para permitir que o seu filho aprenda um esporte que realmente pode mudar a sua vida.

Eu tenho uma filha de dois anos que convive com artes marciais o tempo inteiro em casa. Eu pratico jiu-jitsu e meu esposo, muay thai. Uma das brincadeiras preferidas dela é o que chamamos de ‘combate’, que consiste em lutarmos juntos. Obviamente de uma forma bem lúdica, apenas para apresentar uma realidade que pode ser dela um dia, claro se ela assim decidir.

Pode ser que um dia a minha filha não queria ser uma lutadora no futuro. Mas, eu tenho certeza que eu estarei fazendo um bem enorme para ela se, ao menos, eu tiver introduzido valores que as artes marciais ensinam, tais como honra, honestidade, perseverança, compaixão, civilidade, autoconfiança, entre outros.

Por hora, como ela ainda é muito novinha para praticar na academia, eu aguardo por este momento, entre os três a quatro anos de idade.

De mãe para mãe, eu posso dizer que também tive medo só de pensar a minha menininha praticando artes marciais. Contudo, somente quando eu conheci as artes marciais eu pude entender que uma das coisas que não tem nada a ver com ela é a violência. Muito pelo contrário.

Na Team Nogueira encontramos um ambiente acolhedor, como no seio de uma família. Os mais graduados despem-se totalmente de seu orgulho e param absolutamente tudo o que estão fazendo para ensinar o novato. Não existem os melhores e os piores, o que existe é o mestre, na figura de pai e os filhos que estão aprendendo e apreendendo experiências.

O mestre é a ponte com o sagrado dentro do tatame. Isso é algo simbólico e imutável nas artes marciais. Certa vez eu estava assistindo a aula do mestre Alaska, de Muay Thai, e durante uma passagem ele questionou a toda a turma quem havia sido o amiguinho que tinha batido no irmão em casa. Automaticamente, o menininho abaixou e fez 20 flexões porque ele sabia que estava errado por ter machucado o irmão. Os próprios pais ficam responsáveis por contar ao mestre como tem sido a rotina dos alunos em casa para que haja uma relação que desenvolva o elo entre academia de artes marciais e família, para que ambos se tornem um só.

Não é preciso ter medo de permitir que seus filhos façam uma arte marcial. Diversos alunos aqui matriculados tiveram suas vidas completamente mudadas com as artes marciais. Os que eram mais agressivos aprenderam a ser mais disciplinados e respeitar o próximo, os que tinham problemas com autoestima conseguiram mais confiança e assim sucessivamente.

Deixe que as artes marciais mudem a vida dos seus filhos, é uma experiência que vai ficar marcada para a vida toda deles, por mais que eles não queiram se tornar um lutador no futuro, os valores que eles desenvolverão como cidadãos irá mudar a vida como um todo, dentro e fora dos tatames.

Tamyris Torres é jornalista e pós graduada em jornalismo esportivo e negócios do esporte.

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