CRÔNICA – Quem você está alimentando: o ego ou a sabedoria?

CRÔNICA – Quem você está alimentando: o ego ou a sabedoria?

Treinar Jiu-Jitsu não é fácil. Eu costumo dizer que é como entrar em um terreno pantanoso: quando você acha que está dominando, o chão se abre sob seus pés. Quem tem determinação fica, quem deixa se enfraquecer é engolido e desiste.

Se você for fazer uma alusão a sua vida, de uma forma mesmo que superficial, muitos momentos são assim. Se você não procura a sua independência no trabalho, o solo se abre e você cai. Se você não consegue mostrar seus pontos de vista dentro de um relacionamento, o casal deixa de existir como um só e alguém é deglutido. E eu não estou usando de eufemismo para falar do conceito de antropofagia de Oswald de Andrade. Antes fosse.

A realidade é mais nua e crua nas artes marciais: quem você está alimentando, o seu ego ou a sabedoria? Por algum tempo eu estava dando de comer ao primeiro, acreditando piamente que eu era um talento perdido no Jiu-Jitsu, só faltava alguém reparar em mim. Todas as noites quando ia dormir, pensava em ganhar um grau na minha faixa branca, afinal de contas, eu queria mostrar que o meu esforço estava dando resultado.

Mostrar, Querer… São verbos que não cabem no Jiu-Jitsu. Quando eu modifiquei tais verbos por Estudar e Merecer eu entendi que se colocarmos o ego na frente da aprendizagem, seremos meros praticantes de uma arte marcial, mas nunca samurais, como diria meu mestre.

Então, sendo assim, faça esta pergunta para si: ‘- O que é mais importante para você: o grau na faixa, a cor na faixa ou o que você aprende independente da cor e do esparadrapo que se ganha?’ Por algum tempo eu diria que o grau e a cor. Hoje em dia eu sei que nada pode substituir o que aprendemos.

Uma vez conversando com meu mestre, disse a ele que estava preocupada com o tempo que eu tinha para treinar Jiu-Jitsu, pois só consigo duas vezes na semana e estava me sentindo mal com isso, afinal de contas, tem muitos amigos de dojô que vão para o treino todos os dias, mais de ma vez por dia até. Certamente me ultrapassarão em técnica por questão de tempo, mas não de vontade. No entanto, o tempo pode ser cruel, às vezes. E então, ele me disse que a partir do momento que eu me comparo com alguém, eu me torno medíocre porque cada um tem seu tempo de aprender. E o que era importante mesmo é não desistir.

Até parece slogan clichê formulado para embalagem de margarina, mas se você aprofundar a realidade disso, verá que não. Ela diz mais do que muitas frases de grandes filósofos. Tem aquela velha máxima dos lobos que existem em nós… Reza a lenda que cada ser humano tem um lobo bom e um lobo mau e a forma como você alimenta os sentimentos vai definir que tipo de lobo você é.

Para finalizar, tudo se resume a isto. Se o teu grau não chegou, espere. Mas, espere trabalhando porque não vai cair do céu. Aguarde aprendendo e estudando porque as cores das faixas e os graus só mudam em consequência do que faz para isso acontecer. E já que estamos imersos a um texto cheio de frases clichês, aí vai mais uma: ‘Mestre, quanto tempo leva para uma pessoa normal pegar uma faixa preta? E o mestre responde: – Pessoas  normais não pegam uma faixa preta’.

Oss!

**Tamyris Torres é Jornalista, Assessora de Imprensa da Team Nogueira e Pós Graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. 

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