O que se aprende no dojô, não deveria ficar apenas no dojô

Tomei a liberdade de modificar um pouco a célebre frase publicitária ‘ O que acontece em Vegas, fica em Vegas’ porque ela representa a conotação justamente contrária do tema do meu texto. De maneira que ao lê-la quero que o leitor entenda que o que acontece no dojô não deve e nem pode ficar no dojô, pois é preciso que se dilate, que infle, que cresça e que tome proporções inimagináveis.

O que quero dizer com isso?

Quero dizer que os valores que aprendemos em uma aula de arte marcial são tão importantes e necessários para a nossa atual sociedade que se o praticante entendesse que tais valores devessem ser colocados 100% em prática em sua vida, coisas boas aconteceriam para ele e, por conseguinte, para o coletivo.

A primeira impressão que eu tive como aluna de Jiu-Jitsu foi a que passei a pertencer a uma família e isso aconteceu de uma forma muito natural. Não houve diferença entre homens e mulheres, o repeito foi mútuo e descobri que o que se aprende na aula deve ser aplicado para o bem, de forma defensiva e positiva a fim de ajudar a mim mesma e ao próximo e, em hipótese alguma, ser abusivo ou ofensivo.

Agora imagina que sensacional seria estes ensinamentos aplicados fora do dojô, em nossos locais de trabalho, em nossos relacionamentos amorosos, familiares, de amizades… Como seria bom que a sociedade aprendesse a respeitar as diferenças, a ajudar os menos favorecidos a chegarem no mesmo ou quem sabe em maior patamar. Porque a humildade é o prato principal de quem se alimenta das artes marciais.

Honestidade, modéstia, respeito, autocontrole, persistência e disciplina são valores que estão – literalmente – estampados nas paredes do dojô da Team Nogueira para que nunca nos esqueçamos de que um dedicado aprendiz de artes marciais precisa viver segundo estes princípios, aos quais um verdadeiro faixa preta apreende antes mesmo de ele conquistar a faixa preta.

Então, diante de toda esta reflexão eu penso que o que acontece no dojô deve ser propagado aos quatro cantos do mundo porque lá eu aprendi e reforcei valores, eu estou em constante mudança e a impressão que eu tenho é que tal mudança nunca vai parar porque o ser humano é isso: constante transformação. Afinal de contas, o Jiu Jitsu ensina também que se você acredita ser perfeito e não ter nenhum defeito a ser trabalhado, o seu defeito é não se autoconhecer.

Penso eu que as artes marciais são uma grande escola. Certamente seríamos mais felizes em um mundo cuja escola ensina valores tão importantes para a formação do caráter de um ser humano. Oss!

* Tamyris Torres é jornalista e pós graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte

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